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Um País viciado na “epidemia das raspadinhas”

A Lotaria Instantânea está acessível em Portugal desde 1995 e passou a chamar-se Raspadinha em 2010, ano a partir do qual as vendas subiram em flecha.

Trata-se de um jogo com bilhetes muito vistosos, com imensas cores, com temas infantis e à disposição de quase todos os consumidores.

O excesso de oferta, associado a quem o patrocina, o promove e o explora, provoca uma sensação de segurança no consumidor.

Sensação essa acentuada pelo facto de o consumidor achar intuitivamente que se fosse um produto perigoso não existiriam tantos jogos a serem vendidos em todos os cafés e quiosques, em todas as esquinas e papelarias do País.

Se fosse perigoso, pensa o consumidor, a Santa Casa da Misericórdia ou o Estado não o autorizariam. Se houvesse algo de menos bom, a utilização de desenhos infantis não seria possível, isso porque atrairia as próprias crianças.

Os portugueses gastam em média 170 euros por ano em raspadinhas, um numero muito superior em relação aos espanhóis, onde o dinheiro neste tipo de jogo de apostas ronda os 14 euros.

Em 2020, os portugueses despenderam, em média, 3.9 milhões de euros diários. Mas em 2019, os gastos eram de cerca de 4,7 milhões de euros diários. Os números só desceram face a 2020, devido aos constantes confinamentos.

Em contrapartida, o volume de apostas no jogo online atingiu os 5.690,2 milhões de euros no ano passado, uma subida de 65% face a 2019.

Os portugueses jogaram 10.900 euros, por minuto, em jogos online no ano da pandemia.

Isto deve fazer-nos refletir.

Comprar uma raspadinha é fácil e aparentemente barato. No entanto, estabelecida a pulsão e a adição, pode sair muito caro.

O dinheiro gasto em jogo é excessivo e isso significa que o número de pessoas com problemas de jogo doentio, adição ou vício do jogo, relacionado a raspadinhas também é potencialmente maior.

As raspadinhas têm o “potencial de encorajar o jogo excessivo” porque estão relacionadas a um retorno imediato, pode ler-se no estudo.

Além disso, “não necessitam de conhecimentos específicos” do jogo, são baratas e “altamente acessíveis”, à disposição em qualquer tabacaria ou papelaria e até cafés.

Não existe nenhum mecanismo para compreender por que razão os portugueses apostam tanto em 22Bet login, nem foi ainda realizado qualquer estudo epidemiológico para perceber a magnitude do jogo patológico associado às raspadinhas.

“Há pessoas que gastam 500 euros num dia em raspadinhas”

raspadinhas

Especialistas concluiram que mais de metade dos apostadores são mulheres entre os 35 e os 54 anos, com qualificações um pouco baixas e rendimentos entre os 500 e 1000 euros mensais.

Os menos atingidos pelo vício deste jogo são os estudantes (15-24 anos) e pessoas com habilitação ao nível do ensino superior e rendimentos mais elevados, é menos usual jogar a raspadinha.

Determinados estudos comprovam ainda que quem joga raspadinha e outros jogos não empresariais demonstra vantagem maior de padecer de jogo patológico.

O jogo é uma disputa, um meio complexo que proporciona muita felicidade às pessoas. Contudo, também é capaz de destruir famílias.

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